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Relatório Bobológico do Plantão 22-11

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No relatório Bobológico de hoje, temos novidades: a Drª, que por ora irei chamar de Rosália, teve seu 1º plantão após sua formatura. Logo na recepção, recebemos a informação de que uma de nossas pacientes estava em cuidados paliativos, e nos foi solicitado que fôssemos ao quarto dela com carinho, para animar um pouco seus familiares. Estávamos em seis doutores palhaços: Eu (Dr. Matias Sôrrisal), Drª Rita Lina, Drª Coelho, Drª Bichinho, Drª Rosália e Drª Beltrana. Plantonistas da noite Minha dupla era a Drª Rosália. Começamos de forma mágica e sem pretensão justamente pelo quarto que nossa amiga recepcionista havia solicitado. Lá, descobrimos duas maravilhosas vizinhas que não se conheciam e nunca tinham se visto, mesmo dividindo um quarto. Nossas recém-amigas foram apresentadas, e descobrimos que ambas eram do mesmo estado. Olha que coincidência! Tínhamos, de um lado, uma paulista e, do outro, uma santista. A santista era DEZ (Destemida, Desbravada, Deslumbrante, Desinibida, Descontraí...

Palhaço é Verdade: A Arte de Não Quebrar o Jogo

Um dos pontos mais fascinantes destacados na pós-graduação em palhaçaria hospitalar foi a ideia de que "palhaço é verdade, não quebre o jogo". Esse conceito reforça que, ao vestir o nariz vermelho, você assume uma identidade genuína, singular e autêntica. Não importa a formação que seu "CPF" possa ter fora desse momento; dentro do espaço de atuação, o palhaço se apresenta como um ser completo e autônomo, cuja essência não precisa de justificativas ou de validações externas. Nesse universo, o personagem não apenas é, ele existe em sua verdade. Ao se tornar palhaço, você abandona qualquer referência que o ligue ao seu "mundo civil". O “RGP” – Registro Geral de Palhaço – é um passaporte para a liberdade da alma e para a flexibilidade de se transformar em qualquer coisa, sem as amarras do que você é na vida cotidiana. Na sala de aula, isso se torna evidente com a diversidade de "especializações" de cada palhaço: desde o "especialista em dúvidas...

Fã Nº 1 - Relato da visita dos doutores palhaços à Área Oncológica

Nossa última visita foi cheia de emoções. O doutor Palhaço acompanhou uma paciente especial que já havia se tornado nossa querida amiga, a Dona Rainha. Ela era atendida por nós na Área Oncológica da Casa da Benção Divina, onde começamos a vê-la no início do ano. Na nossa primeira visita, ela pediu que cantássemos a música "Abençoa, Senhor", do Padre Zezinho, o que acabou se tornando um momento especial entre nós. Dona Rainha estava frequentemente internada e, quase toda semana, nós tínhamos a oportunidade de visitá-la. Ela sempre nos recebia com um sorriso caloroso e gostava muito de tirar fotos com a gente, mesmo que não entendesse muito de tecnologia. Ela fazia questão de registrar aqueles momentos e compartilhar com a família. Nós, claro, sempre ajudávamos quando necessário. Dona Rainha se tornou fã da nossa equipe de doutores palhaços, especialmente da doutora Dolittle, doutora Coelho, doutora Bolacha, doutora Bichinho, doutora Ritalina e, claro, do doutor Sorrisal, o can...

O Verdadeiro Rosto dos Palhaços: Além do Nariz Vermelho

  No novo episódio do podcast “Neurônios de um Palhaço” , criado inteiramente por inteligência artificial, exploramos o lado menos conhecido e mais profundo da palhaçaria. Muito além dos narizes vermelhos e sapatos gigantes, falamos sobre a evolução histórica dos palhaços e o impacto cultural que carregam ao longo dos séculos. Este episódio é uma jornada pela transformação dos palhaços, desde os bobos da corte até as figuras subversivas e críticas que conhecemos hoje. De Bobos da Corte a Palhaços de Circo Os primeiros palhaços, ou “proto-palhaços” , surgiram como bobos da corte, que tinham a ousadia de zombar das autoridades e das normas sociais, sempre com o disfarce do humor. Já no final do século XVIII, a comédia se misturou ao circo, à pantomima e à commedia dell’arte, consolidando o palhaço moderno . Um dos maiores nomes dessa época foi Joseph Grimaldi , um verdadeiro revolucionário, que usava a pantomima e a comédia física não só para entreter, mas também para provocar refle...

O Papel do Palhaço Hospitalar: Provocações e Reflexões

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A palhaço hospitalar , ao longo dos anos, tem ganhado espaço e reconhecimento dentro do ambiente hospitalar, trazendo benefícios comprovados para pacientes, familiares e até mesmo para a equipe de saúde. No entanto, o desenvolvimento desse papel exige uma reflexão profunda sobre a sua real importância, a validação científica de suas práticas e o reconhecimento por parte de outros profissionais de saúde. As discussões que tenho acompanhado recentemente na pós-graduação em palhaçaria hospitalar, da qual faço parte como aluno , têm sido focadas nas Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICs) e nas políticas públicas de humanização, gerando provocações que ajudam a moldar e a redefinir o entendimento desse trabalho. A Inserção do Palhaço nas Políticas Públicas de Saúde Um dos principais temas debatidos nas aulas de pós-graduação é a inserção do palhaço hospitalar dentro das políticas públicas de saúde, especialmente no contexto das Práticas Integrativas e Complementares (PICs) e...

Fui Aprovado na primeira pós-graduação de palhaçaria hospitalar do mundo

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 Sou João Pedro, natural de Valente-BA e residente em Itajaí-SC, e tenho uma notícia incrível para compartilhar! Recentemente, fui aprovado na primeira pós-graduação em Palhaçaria Hospitalar do mundo, oferecida pelo projeto EPAH - Escola de Palhaçaria Hospitalar, em parceria com a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), em Curitiba. 🎉 Minha jornada com a palhaçaria começou em 2016, quando me tornei palhaço voluntário no programa Terapeutas da Alegria, um projeto que já tem 21 anos de história e reúne mais de 50 voluntários para visitar 8 unidades hospitalares em Itajaí e Balneário Camboriú. Desde então, tenho sido um dos responsáveis por formar novos palhaços voluntários e coordenar essas visitas, sempre trazendo à tona temas como Arte com Balão, improviso e Maquiagem Hospitalar. Ao longo desse caminho, tive a alegria de ajudar na formação de mais de 200 doutores palhaços. Apesar de minha formação em Engenharia de Produção pela UNIVALI, descobri que minha verdadeira pa...

O Bobologista e a Promoção de Saúde: Como o Riso Melhora a Qualidade de Vida

A promoção da saúde é um processo que capacita pessoas e comunidades a tomarem o controle de sua própria saúde, indo além da prevenção de doenças. De acordo com a doutora Alessandra Sousa e Marcelo Marcon, o bobologista — especialista em terapia do riso — tem um papel crucial nesse processo. Seu trabalho envolve o uso do riso como uma ferramenta para promover bem-estar emocional e mental, o que impacta diretamente a saúde física das pessoas. A terapia do riso se torna, assim, uma aliada importante na criação de ambientes saudáveis e no desenvolvimento de hábitos de vida mais leves e positivos. Estudos mostram que o riso tem benefícios comprovados para a saúde, como a redução do estresse, a melhora do sistema imunológico e o aumento da sensação de bem-estar. O bobologista, ao incorporar o humor em ações educativas, torna temas sérios mais acessíveis e fáceis de assimilar. Isso ajuda a fortalecer a educação em saúde e a adesão a práticas saudáveis, como a importância da saúde mental e da...

Palhaço - O guardião da humanidade

O circo é um show cheio de façanhas incríveis, onde pessoas desafiam a gravidade e os limites do corpo. No picadeiro, vemos artistas se equilibrando em fios finíssimos, jogando objetos no ar com precisão e até motocicletas fazendo manobras que parecem impossíveis. Mas, no meio de tanta perfeição e controle, aparece um ser diferente. Ele é o único que cai, que erra, que se atrapalha e que perde. Como disse um autor desconhecido: "O circo é um espetáculo que desafia as leis da gravidade. No circo, as pessoas voam, se equilibram num fio. Nos circos vários objetos são jogados para o ar, as motocicletas giram em ângulos inimagináveis e algumas pessoas são como dragões que cospem fogo, porém, existe o palhaço, e ele é único que cai, o palhaço é aquele que erra, o palhaço é aquele que se atrapalha em sua mágica, o palhaço é o único que perde." Essa frase resume bem a importância do palhaço, não só no circo, mas também na vida. Enquanto todos em volta tentam ser perfeitos, o palhaço ...

Livro "Rir é o Melhor Remédio?

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O livro Rir é o Melhor Remédio? é uma obra organizada por Susana Caires e Susana Ribeiro, com contribuições de diversas autoras, como Ana Sofia Melo, Carla Hiolanda Esteves, Laura Vagnoli, Maria Conceição Antunes, entre outras. Publicado pela Operação Nariz Vermelho em 2016, o livro aborda a prática dos palhaços hospitalares, detalhando o impacto de suas atividades nas crianças hospitalizadas, suas famílias e os profissionais de saúde. A obra é um importante estudo acadêmico que alia ciência e arte ao descrever o processo de humanização no ambiente hospitalar, principalmente nos serviços pediátricos. Capa livro Rir é o Melhor Remédio?   A Operação Nariz Vermelho (ONV), desde sua fundação, realiza intervenções semanais em hospitais de Portugal com uma equipe de palhaços profissionais treinados especificamente para o ambiente hospitalar. Essa prática tem como principal objetivo trazer leveza e alegria para crianças e adolescentes internados, utilizando a arte do palhaço como m...

Livro Sobre Palhaçaria: Arte, Ciência, Saúde e Educação para novos Afetos

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O livro "Palhaçaria: Arte, Ciência, Saúde e Educação para novos Afetos" é uma obra fundamental para quem busca compreender o impacto transformador da arte da palhaçaria em diversos campos, como ciência, arte, educação e saúde. Organizado por Marcus Matraca e Fábio Nieto-Lopez, este dossiê temático reúne experiências artísticas, metodológicas, relatos e pesquisas que exploram como a figura do palhaço vai além do picadeiro, rompendo estereótipos e agindo como uma potente ferramenta de transformação social. Capa do Livro Palhaçaria: Arte, Ciência, Saúde e Educação para novos Afetos  (Editora MultiAtual, 2022) A proposta da obra é ampliar a compreensão da palhaçaria, destacando sua atuação em uma perspectiva transdisciplinar, onde o palhaço se posiciona como um mediador capaz de gerar afeto e ludicidade em contextos que envolvem vulnerabilidade e desafios humanos. Em cada capítulo, o leitor é conduzido por diferentes facetas dessa prática, seja no ambiente hospitalar, em ações ed...

A Técnica 'Olhar, Sentir e Agir' na Palhaçaria Hospitalar"

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 A técnica de palhaçaria "Olhar, Sentir e Agir" envolve três passos fundamentais que ajudam o palhaço a estar presente no momento e a se conectar com o ambiente e as pessoas ao seu redor: Olhar : O palhaço deve observar tudo o que está acontecendo ao seu redor, com atenção total. Isso significa não apenas ver com os olhos, mas perceber o ambiente, as pessoas, as emoções, e até mesmo os pequenos detalhes. É sobre estar aberto ao que o momento oferece. Sentir : Após observar, o palhaço permite que essas informações sejam processadas emocionalmente. Ele sente o impacto do que viu e vivencia essas emoções de forma autêntica. A honestidade e a vulnerabilidade do palhaço diante do que ele sente é o que gera a conexão com o público. Agir : Com base no que foi observado e sentido, o palhaço responde ao momento. A ação vem como consequência natural das duas etapas anteriores, e é muitas vezes uma reação espontânea e genuína. O importante aqui é não planejar antecipadamente, mas confia...

Palhaço. É personagem ou não?

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A reflexão sobre o palhaço ser ou não um personagem revela uma compreensão profunda e diferenciada da palhaçaria. De acordo com Demian Moreira Reis em "Caçadores de Risos: O Maravilhoso Mundo da Palhaçaria", o palhaço não deve ser visto como um simples personagem teatral construído para narrativas específicas. Em vez disso, Reis propõe que o palhaço é uma manifestação extrema e autêntica do próprio ser, uma ampliação cômica e exagerada da individualidade do atuante. Neste sentido, o palhaço emerge de uma exposição sincera e intensa das características pessoais do artista, transformando suas vulnerabilidades e contradições em material cômico. Capa do livro Caçadores de risos - o maravilhoso mundo da palhaçaria Reis explora a ideia de que a comicidade do palhaço advém diretamente da exposição de aspectos íntimos e autênticos do artista, o que faz com que o riso seja gerado não por piadas convencionais, mas pela revelação crua e, muitas vezes, desconcertante da própria humanidad...

Os Arquétipos do Riso: Explorando o Universo dos Palhaços Clássicos

Explore o fascinante mundo dos palhaços, desde suas origens na comédia até suas representações nos dias atuais. Neste documento, descubra os tipos clássicos de palhaços, como o refinado Palhaço Branco e o caótico Palhaço Augusto, e entenda como essa dinâmica entre ordem e caos reflete a condição humana. Ideal para quem quer aprender sobre a arte da palhaçaria e seu impacto cultural, este material vai muito além do entretenimento, mostrando como o riso transforma vidas e desafia nossas percepções. 🔗   Baixar apresentação dos Tipos de Palhaços

A Importância de Estudar Palhaçaria: O Aprendizado é Contínuo

Ser palhaço hospitalar é muito mais do que vestir um nariz vermelho, um jaleco colorido, andar com cacarecos, fazer balão e entreter as pessoas. É uma arte que requer sensibilidade, técnica, e uma compreensão profunda das emoções humanas. A formação é um pilar essencial nesse processo, mas ela não se encerra nas salas de aula, nas reuniões ou nas práticas em hospitais. O verdadeiro aprendizado na palhaçaria vai além disso, está em cada detalhe do cotidiano, na busca incessante pelo aprimoramento e na curiosidade que nos move a explorar novos horizontes. O conhecimento na arte da palhaçaria não se limita aos encontros formais ou aos cursos. Ele se expande em experiências externas, em momentos do dia a dia que aparentemente nada têm a ver com a prática, mas que, na verdade, enriquecem o repertório artístico e emocional do palhaço. Assistir a um vídeo, um show de teatro ou palhaçaria na rua, ou até mesmo mergulhar em um filme, peça teatral ou stand-up, são oportunidades de aprendizado e d...

O Palhaço: A Personificação do Fracasso Bem-Sucedido

O palhaço, com seu nariz vermelho e roupas desajeitadas, transcende a simples figura cômica. Ele é a personificação do fracasso bem-sucedido, alguém que, ao errar, encontra o sucesso no riso do outro. Este conceito é profundamente enraizado na essência do que é ser palhaço, onde a arte de falhar se transforma em uma ferramenta poderosa para conectar-se com o público. O palhaço não é apenas um personagem cômico; ele é um reflexo da vulnerabilidade humana. Ao expor suas fraquezas, ele permite que o público ria de suas próprias falhas. A palhaçaria é, em sua essência, um espaço de liberdade, onde o ridículo não é apenas permitido, mas celebrado. Como bem apontado no estudo sobre a presença feminina na palhaçaria, essa figura cômica desafia normas sociais, políticas e até de gênero. A palhaça, por exemplo, quebra o paradigma de que a feminilidade não é engraçada, subvertendo expectativas e tornando-se protagonista no cenário cômico (SAAVEDRA, 2013). A filosofia do palhaço envolve abraçar o...

O Palhaço Hospitalar: Lidar com a Tragédia Humana e Transformá-la em Riso

Ser palhaço é lidar com a ridícula situação que é a tragédia da vida humana, e permitir que a sociedade dê risada da sua situação vulnerável. Essa frase capta a essência da palhaçaria hospitalar, onde o riso se torna uma ferramenta poderosa para ressignificar a realidade dura e, muitas vezes, cruel do ambiente hospitalar. A presença do palhaço no hospital oferece uma pausa na seriedade, permitindo que pacientes, familiares e até profissionais de saúde vejam o cotidiano de uma forma mais leve. A palhaçoterapia, apesar de relativamente recente, já se provou como uma abordagem humanizadora e transformadora nos ambientes hospitalares. Mais de 700 organizações ao redor do mundo, incluindo o Brasil, integram palhaços em suas práticas de cuidado. O que esses profissionais fazem é mais do que apenas entreter: eles desafiam o modelo biomédico tradicional, focado exclusivamente no corpo físico, ao trazer a pessoa e suas emoções para o centro do cuidad (Catapan, 2019). Dentro do hospital, o palha...

14 de Abril de 2024

Para quem acredita que nosso território é vasto, talvez ainda não tenha notado quão pequeno o mundo é, pois, no final das contas, conhecemos muita gente ou muita gente nos conhece. Ou talvez eu tenha essa impressão por conhecer muita gente e estar aqui há mais tempo, mas hoje quero falar sobre um acontecimento recente. Estava deslizando os dedos sobre a tela do celular nos stories do Instagram e me deparei com uma postagem de luto com o nome de uma pessoa que visitamos na sexta-feira, nesse caso eu e a Drª Estrela, e isso me fez pensar, caramba, como fomos importantes naquele quarto. Vou trazer um pouco mais de contexto. Drª Estrela e eu, no segundo quarto, nos deparamos com uma paciente que estava no 11º andar do Marieta desde a segunda semana que começamos lá, a Belinha, e um detalhe: ela já havia recebido nossa visita na UNACON. Dona Belinha ao longo de cada visita nossa foi ficando cada vez mais debilitada e aos poucos (na verdade, muito rapidamente) foi perdendo a batalha, e ontem...